Thursday, December 30, 2010

Holy shit! Já cá não escrevo nada há mais de um ano!

Friday, December 25, 2009

Soulmate

Nestes últimos dias tenho andando com a habitual crise existencial por que todos, eventualmente, acabam por atravessar. E a pergunta tortura-me aqui e ali, quando menos espero dou comigo no melodrama de estar sentado à mesa a arremessar comida goela abaixo e a perguntar-me vezes e vezes sem conta a mesma questão, e todas as outras que lhe estão subjacentes. O que raios é, exactamente, uma alma gémea? Alguém me faça o favor de explicar.
É que não me basta o tradicional conceito de pessoa perfeita para outra. A perfeição, bem vistas as coisas, não existe com muita frequência, e mesmo quando se revela é temporária: uma pessoa, ou apartamento, ou comida, filme, música, caneta que um dia achemos ser perfeita, no dia seguinte (modesta metáfora para futuro) já não o é, e toda aquela beleza que outrora encontrámos nesse objecto perdeu todo o seu brilho e atractivo. E isso, amigos, não é nada bom.
Porque então encontrar uma pessoa periodicamente perfeita para nós não é suficiente. Tem que ser perfeita durante um tempo prolongado, duradouro, suficientemente comprido para que um dia possa olhar para trás para a minha vida e sorrir, sem arrependimentos, e dizer algo típico de alguém que está agradecido e ficar descansado por saber que nada nem ninguém me vai tirar todos aqueles maravilhosos anos. Ficaram comigo graças aos meus actos, à minha memória, e à tal alma gémea que anteriormente referi. Se a encontrar.
Sim, porque dizem que basta encontrá-la para conseguirmos a glória do pote de ouro no fim do arco-íris. Mas aí surge-me outra questão. Este arco-íris em que vivemos tem uma vasta área de cerca de 500 milhões km²… Se retirarmos uns 70% deste valor, mares e oceanos, ficamos com cerca de 150 milhões km². (Podia ser pior)
Mas nas restantes planícies, planaltos, vales, valejos, montanhas, montículos, costas, baldios, prados, florestas e até pedaços de terra perdidos no meio de uma imensidão parva de mar, restam-nos mais de 6 biliões de pessoas. Considerando também a tradicional divisão homem-mulher, uns 50-50, existem cerca de 3 biliões de mulheres. Tendo ainda em conta a minha faixa etária e alguns irrevogáveis valores geográfico-linguístico-culturais, diria que estão espalhadas um pouco por toda a parte cerca de 500 milhões de candidatas ao lugar de minha alma gémea. Não é um número apelativo.
Alma gémea? No meio deste oceano de cabeças? Como?? Quando?? E principalmente: onde??? Não admira que a taxa de divórcios esteja tão alta. Estão mesmo à espera que alguém consiga encontrar aquela única pessoa certa, escondida entre 500 milhões de outras pretendentes? Se alguém alguma vez o conseguiu fazer, está de parabéns. Negando a resposta óbvia: excluído está, naturalmente, Adão. Embora admire a feliz circunstância que juntou este casal, o afortunado pioneiro teve o caminho facilitado.
Somos nós hoje, algumas centenas de milhares de anos depois, que temos todo o trabalho. Depois de feitas as somas e as estatísticas, nada resta a não ser perguntar: “precisaremos mesmo de um outro alguém nas nossas vidas?” Espero bem que não. Espero que não seja um requisito. Espero que não faça assim tanto a diferença.
Com todo o respeito à minha alma gémea, prefiro aproveitar a minha vida com outras coisas que me façam feliz do que desperdiçá-la à tua procura. Vem tu ter comigo.

Sunday, June 21, 2009

Hope

"When captured birds grow wiser, they try to open the cages with their beaks. They don't give up, because they want to fly again."

Saturday, January 05, 2008

Durval, o Majestoso Sabedor

A cada arrebatadora mordida que dava, Durval sentia um peso acentuar-se na sua consciência.

Não, claro, por remorsos à alforreca que acabara de morrer para o alimentar, prendida agora nos confins da sua boca; havia apenas qualquer coisa de incompleto em si.

Os seus 96 anos de existência deram-lhe uma experiência de vida e sabedoria inigualáveis: sentia-se como um mestre, em quase um século de vida havia ensinado muito às gerações mais novas, semeado as bases para um futuro mais brilhante e esperançoso. Porém, nos passados meses, Durval havia sido assaltado pela hipótese de, em toda a sua vida, ter feito tudo da maneira errada. Deveria ter sido, talvez, um pouco mais activista: perante tantos problemas, perante tanta contestação, porquê viver daquela maneira? Porquê acatar com o sofrimento que nos é imposto, baixar a cabeça e fugir aos problemas do dia-a-dia? Que motivo nos leva a aceitar a realidade tal como é e nada fazer para a mudar? Nada fazer contra aqueles que, durante tantos anos, nos oprimiram, encostando-nos contra um beco escuro e profundo, mostrando-nos os seus dentes de predador, à espera do movimento súbito para nos devorar e acabar com as nossas vidas?

Será que existem algumas coisas na vida que nunca mudarão? Será a hierarquização um modelo natural obrigatório no mundo?

Durval gostava de, para se acalmar, olhar para os seus filhos, netos e até bisnetos, e ver no quão crescidos se haviam tornado. Era nessas alturas que tudo fazia perfeito sentido, que não se sentia perturbado por questões ameaçadoras e que, por isso, reluzia um brilho ao canto do seu olho, cúmplice de um sorriso interior imenso.

"O segredo da vida não está em fazer o que nos deixa felizes, mas em construir o que produzirá autonomamente a nossa própria felicidade", pensou ele. "Alforrecas, banhos de sol, longos mergulhos debaixo do mar – tudo isso são apenas pequenas recompensas na vida. O que realmente importa são os outros… Pais, filhos, netos, amigos insubstituíveis. Porque esses sim, são os que não nos deixarão ficar sozinhos, até mesmo nos tempos mais difíceis."

Poucos segundos depois de pensar nisto, foi atacado brutalmente por um tubarão, pondo termo à sua existência. E apesar da sua morte horrenda, escusado dizer é que Durval continuou presente na vida de muitos, relembrado por todos os que o amavam, e que o admiravam pela sua sabedoria desmedida.

Porque até a vida de uma tartaruga é, afinal de contas, complicada.

Thursday, June 14, 2007

III Jogos Florais - "75 palavras para..."

No interior da sua mente contou-as. Eram 75 ao todo, alinhadas, profundas e propositadamente grafadas, Queria encontrar o significado implícito escondido nas letras dispostas, mas 75 palavras - maldosas, hábeis, interesseiras - forçavam em esquivar-se, fugindo e troçando do seu ser.
Que queriam dele? Que faziam ali? Não entendia, apenas estavam... E nesta passividade continuaram, imóveis, hipócritas; daquela folha de papel olhavam de soslaio, à espera do momento oportuno, aguardando o tempo em que alguém suficientemente perspicaz avançasse e as libertasse do seu código.
Obviamente impossível. As 75 elevavam-se bem acima do comum mortal, não permitindo o atrevimento de serem penetradas e compreendidas. Vaidosas, desfilavam, imponentes, como do cimo de um pedestal. Juntas formavam um texto. Criticavam o mundo, gabavam-se das suas fabulosas capacidades como vocábulos, da maneira como tão esplendidamente estavam sequenciadas de modo a dificultar o entendimento de quem as quisesse ler.
E aquele terráqueo, que tanto investira tentando interpretar os supranormais 75 termos, acabara por não atingir nem conhecimento nem proveito, e possivelmente por essa razão não conseguiu obter mais descanso.
Tentou dormir, mas os pesadelos amontoaram-se na sua consciência, assaltando-o necessária mas inapropriadamente.
Os vocábulos ressoavam em sintonia nos seus ouvidos, guerreando pela supremacia do poder. Pela paredes do seu crânio ressaltavam aquelas incompreensíveis palavras, correndo e pulando de alegria, fora do alcance da sua percepção. E esta sensação era demasiado forte para o humano, e fê-lo descontrolar-se: com um movimento súbito, impulsionou-se para fora da cama, e fez a interrogação que, naquele instante, mais importava e mais o incomodava que qualquer outra coisa na sua vida.
75 palavras para quê?

Friday, April 06, 2007

The Kids Aren't Alright



Aqui estou eu, nos últimos dias de férias da páscoa, pensando nos miseráveis trabalhos de casa que tenho enquanto oiço umas músicas que (agora) me parecem bastante calminhas, como só os Offspring podem oferecer.
Ao meu lado repousa a ficha de matemática para férias, a menos de 20 cm. É certo que o mais tentador neste momento é pegar nela e amachucá-la até ao tamanho de uma bola de ténis, mas como se não bastasse, tenho mais outras tarefas apaneleiradas e idiotas como um trabalho de Ed. Física e ler Os Maias... em 3 dias. Como se isso fosse sequer possível.
De qualquer maneira, associada ao meu ódio escolar permanece esta vontade de inércia, de necessidade de dormir, e eu bem que preciso de um intervalo.
Mais descanso. Mais férias...

Saturday, February 03, 2007

Poema do Estojo

Penso que alguns ainda se devem lembrar deste poema do ano passado. Fiz-lhe apenas umas pequena alterações, mas aqui está ele:


Certa noite, pela calada, chegou ao estojo uma lapiseira.
Acordou toda a gente e afirmou ser uma freira.
Mas a mini-saia atrevida, os gigantescos faróis,
Os olhos azuis e o cabelo preto aos caracóis
Deram aos materiais do estojo um sorriso malvado,
E cada um deles foi ficando descontroladamente excitado.
O papel, o afia, o porta-chaves e até a mola
Atiraram-se à bela lapiseira
made in Angola.
Mas não o deviam ter feito: as consequência surgiram,
E as outrora boas virtudes do estojo caíram.
Porque estes quatro tarados, numa noite gelada,
Discretamente decidiram violar a recém-chegada.
Agora arrependeram-se, e a lapiseira engravidou,
Mas nada justifica a triste cena que se passou...
E as aparas, com ciúmes, apanharam uma bebedeira,
E num acto de loucura sufocaram a freira.
Todos choraram e o esquadro ainda está abatido;
Só mais uma merda de vida, só mais um estojo perdido.


Wednesday, September 13, 2006

Thursday, June 15, 2006

as Palavras que escrevo por Ti

Não consigo deixar de ficar com um ar esperançoso (e sonhador) cada vez que penso em ti, cada vez que dou conta que em ti não existem defeitos e que és do género de mulher com quem me imagino – e muito dificilmente o farei com alguém – a passar o resto dos meus dias: eu e tu, já de cabelos brancos e rugas, de mãos dadas para a vida e sorrisos desenhados nas caras; muito, muito felizes.
Agora vejo que tudo isto não passa de um sonho - parvo, ingénuo e fantasioso. E tu, como não podia deixar de ser, desde que entraste no meu mundo e me controlas com o teu olhar, fazes parte dele.
E o mais irónico é que, afinal, existes! Não fazes apenas parte dos meus sonhos, fazes parte da minha vida. E não sei como entraste nela, a porta está sempre trancada, e, que me lembre, não te dei a chave. Não sei se arrombaste a entrada, se passaste pela frincha da janela, mas isso, agora, também já não tem muita importância.
Descobri que és real, terrena e palpável, e, portanto, posso transformar o meu sonho em realidade, e há realmente uma chance – por muito pequena que seja – de viver longos anos a teus braços, de olhar-te nos olhos – e de os ler – e beijar os teus lábios que, estranhamente, me parecem selados por um feitiço. E isso faz-me desejá-los ainda mais, e desejar-te a ti. Faz-me ficar tonto, põe-me o coração aos pulos e, curiosamente, obrigou-me a escrever estas palavras todas. Por ti.
Porque não é só um pensamento louco e irracional o de ficarmos juntos. Quando olho para ti e tu para mim, e os nossos olhares entram em sintonia, é como se tu própria também o dissesses, sem eu acreditar, porque me lembro de já te ter visto algures nos meus sonhos.
E depois sorris para mim, com toda a graciosidade e beleza próprias do teu ser, e eu fico sem saber conjugar as diferenças entre o que já é sonho ou é realidade, e deixo-te escapar, assim, tão facilmente, sabendo que no futuro me vou torturar com o arrependimento de não ter feito o que posso fazer agora.
Por isso vamos aproveitar o momento. Disfrutemos do que não disfrutámos no passado, aproveitemos o presente e o futuro.
Porque por detrás deste ar esperançoso (e sonhador) existe algo mais complexo que nem eu nem tu conseguimos explicar, mas talvez o amor consiga.
Que tal darmos as mãos, sentirmos a pulsação um do outro e deixarmos os nossos olhares falarem por si?

Wednesday, June 07, 2006

A Partida do Gafanhoto

O gafanhoto não tinha mais a fazer naquele lugar. Retirou-se, pulando quinta fora, à procura de uma nova vida.
Era pena. Ia ter saudades daquela velha herdade. E que herdade!
Outrora chamara-a de casa. Fora lá que dera o primeiro salto. Fora lá que comera a primeira folha, que esticara as suas pequenas antenas ao sol.
E a cada pulo que dava agora, lembrava-se da vida que tivera naquela nostálgica casa de campo, com as douradas searas de trigo dançando com o vento, as borbuletas à sombra do sobreiro desmanchando-se a rir com as mesmas anedotas de sempre, o rouxinol que adoecera ao comer a sua prima afastada e os estranhos humanos que se queixavam demasiado da vida, do sol e do trabalho.
E ele sabia que nunca nada poderia substituir as tardes de calor reunido com o seu grupo, abrigados pela sombra da figueira, fumando uma das boas ervas rurais como só naquela quinta se fazem.
Ele sabia que nunca mais encontraria companheiros como o seu amigo do peito grilo, o pirilampo ou até a vespa; porque esses são amigos preciosos, com os quais se partilham momentos inigualáveis, como aventurar-se até à árvore dos beija-flores, dividir uma belo naco de couve ou passar um belo serão bebendo néctar até à embriaguez e ir cantar, vinha fora, as lendárias rimas compostas pelos antigos poetas de mais alto gabarito.
Por isso a despedida foi sentida. O gafanhoto não era nem de longe conhecido na quinta: passava despercebido no meio de tanta bicharada. E podiam não saber exactamente o seu nome, ou quem ele era, como, afinal, nem eu o sei, mas isso não o impedia de ser feliz.
Abraçou uma última vez seus amigos, desejando-lhes um resto de boa vida, e deixou (talvez sem sequer o saber) marcas no coração de cada um que não desaparecem da noite para o dia. E talvez por isso o gafanhoto permaneceu na saudade e na lembrança de todos os que o conheceram, e o recordavam com afecto.
Soltou uma lágrima em memória da herdade, em memória dos seus amigos e da boa erva local.
A meio caminho da jornada olhou para trás, e viu a fazenda que fizera parte da sua vida, imóvel e estável, brilhando delicadamente com os débeis raios do sol poente, com aquele olhar misterioso que significa algo como "Estarei sempre aqui à tua espera" e ao mesmo tempo "Espero que voltes". E o gafanhoto também o esperava, e mais rápido do que previa.
Os seus olhos cintilaram sensivelmente, mas, confiante, continuou caminho.
Olhou de relance para trás, uma última vez. Franziu a testa, e prosseguiu como se nada fosse.
Tinha tido uma bela vida, e, por isso, estava agradecido.

Sunday, June 04, 2006

'Tá giro, admitamos

Mandaram-me este mail e achei por bem partilhar:

Um coelho estava a correr pela floresta fora quando viu uma girafa a acender um charro. Parou e disse:
- Ó girafa! Pára de fumar essa merda que te faz mal, e vamos mas é correr pela floresta! Vais ver como te vais sentir muito melhor!!!
A girafa pensou por um segundo, e disse:
- Tens razão coelho, bora nessa!
Assim, jogou o charro fora e foi correr com o coelho.
Pouco mais à frente eles encontraram um urso a cheirar cola. Eles olharam-se e o coelho saltou logo para a frente do urso:
- Ó urso, deixa essa merda! Essa treta só te faz mal, vem mas é correr connosco e sentir o ar puro dentro dos teus pulmões!
O urso saltou para a frente e começou a correr com eles até encontrarem um elefante a snifar cocaína.
- Ó elefante, estás maluco! Dás cabo de ti com essas merdas! Vem mas é correr pela floresta!
O elefante pensou um pouco, mas resolveu juntar-se ao grupo, que metros depois encontrou o leão a injectar heroína.
Mais uma vez, o nosso amigo coelho pôs-se à sua frente e disse:
- Ó leão, deixa-te de merdas e vem correr...
Nem terminou de falar e levou uma patada do leão que o fez voar uns bons metros.
Os outros animais revoltados perguntaram:
- Estás maluco? Por que fizeste isso???
O leão respondeu:
- Sempre que o filho da puta do coelho toma ecstasy, faz-me correr feito um idiota pela floresta!!!

Sunday, May 28, 2006

Comic Strip


CLIQUE PARA AMPLIAR

A imagem vale por si qualquer conjunto complexo de palavras para a descrever.

Saturday, May 27, 2006

Messenger Fairytales

João diz:
era uma vez duas felizes centopeias que saltitavam alegremente, no mundo dos insectos, quando, do nada, cai uma bola de futebol que esmaga 50 dos pés de ambas. uma delas, triste, desiste da vida e acaba por morrer. a outra, esperançosa, continua a caminhada, a metade da velocidade.


conclusão: quando perderes um pé, caminha com o outro!


Achei por bem partilhar o pequeno conto convosco...


Sunday, May 07, 2006

Foi o desleixe total

Hoje, neste preciso dia, 7 de maio, este raio de blog faz anos!
Esqueci-me completamente. Planeava fazer um óptimo texto filho da mãe mas agora estou a escrever à pressa (porque daqui a menos de uma hora já não é dia 7), num sentido de obrigação, para que possa dar um tributo mínimo a este meu cantinho da net.
É claro que um tributo mínimo poderia ser um simples "PARABÉNS BLOG" mas isso soaria, no mínimo, a algo estúpido. Muito, muito estúpido.
Não tenho muito mais a dizer. O tempo voou desde que escrevo aqui. Tive óptimos momentos com grandes posts e comentários (obrigado a todos), outros em que mal escrevia, um ano passou e estamos todos mais velhos, a vida caminha para o seu fim e isto é apenas um raio de blog, no meu cantinho da net, onde eu grafo uns textos inúteis e (para muita, muita gente) escusados. Já escrevi textos que adorei e já apaguei mais de metade de outros. Vai tudo dar à mesma merda.
De qualquer maneira, o mundo é feito de acontecimentos bizarros, e eu no fundo sou também muito estúpido, por isso...

PARABÉNS BLOG
Não me esqueci de ti

Wednesday, April 12, 2006

Ovos Kinder e afins

O mundo dos kinders está a degradar-se de época para época.
Todo o conceito preconcebido de que o kinder era o chocolate de eleição - do qual a juventude podia não só aproveitar todo o leite situado no interior do chocolate, como também deliciar-se com o brinde contido dentro dele - dirige-se para um beco escuro e sem saída no qual, agora, se encurralou.
Espero demonstrar-vos o quão perdido estão os kinders com este texto.

Por muito que, agora, tenha percebido a real intenção da empresa Kinder (ainda que os kinders sejam feitos pela Ferrero – assim é mais fácil de perceber), vou admitir, sem medos.

Os ovos kinders sempre foram os meus chocolates preferidos desde criança.

Ficava imensamente feliz quando me era ofertado um destes ovos, não só porque sabiam deliciosamente bem, mas porque passava horas de diversão a jogar com o brinquedo que nele encontrava (ainda que, por vezes, precisasse de ajuda para os montar). Eram como uma espécie de símbolo especial, no qual eu depositava a minha inteira confiança e o ingeria, seguro e feliz, como que abraçando um velho e bom amigo.

Porque digo, então, que o mundo dos kinders se está a degradar? Ora, todos sabemos que estes chocolates nunca mais foram o mesmo.

Antigamente, contávamos apenas com os ovos kinder. Já tinham criado um ambiente familiar e agradável entre nós. Desde o típico embrulho ao recheio de chocolate de leite de comer e chorar por mais, os kinders eram a felicidade de qualquer criança.
Agora penso que a empresa Kinder se aventurou por caminhos pouco seguros, e hoje em dia já está fraca, impotente, senil. Temos kinder surpresa, kinder bueno, kinder délice, kinder maxi, kinder happy hippo - já chegámos a este ponto! -, etc. Acho que mais um pouco e passaremos a ter burguer kinder, iogurte kinder, pastilha kinder e compal de kinder.

O QUE É ISTO???

Não me parece ser coisa digna de uma empresa de chocolates.

Voltando então à ideia principal: o mundo dos kinders está a degradar-se de época para época. Porquê? O que me leva a fazer tal acusação?

Acho que todos já o vimos. Já entrou, de qualquer forma, nas nossas cabeças com a intenção inicial de publicitar os kinders lda.
Já estamos habituados aos anúncios dos produtos kinder. Desde “E bueno é bom!”, passando por “Para levar para o lanche!” e acabando em “Não, eu vou lanchar.”, este tipo de anúncios passa na televisão durante inumeráveis vezes ao dia. É que são mesmo INUMERÁVEIS. É difícil ligar a televisão e não estar a dar um destes anúncios.
Mas aquele a que eu quero, realmente, chamar a atenção é a um novo anúncio dos kinders délice. Não o sei de cor e salteado, mas é algo como isto:

"Estão dois rapazes num quarto e um pede ao outro um kinder délice. Dirigem-se para a cozinha, mas, ao depararem-se com o (gigantesco) frigorífico fechado, amarrado e rodeado por cadeados, ficam atónitos.
Então aparece o irmão mais novo de um deles com a chave dos cadeados e os óculos escuros do irmão.
- Fazemos um acordo? – pergunta ele.
O irmão mais velho cede-lhe os óculos em troca da chave, e enquanto o mais novo põe os ditos óculos de modo a ficar mais “cool”, os amigos retiram os kinders délice do frigorífico para comerem.
- Hmmm… São mesmos fixes! – diz um deles, devorando-os.
- Como o teu irmão com esses óculos! – responde o outro."

Ninguém – NINGUÉM – me convencerá que o “como” é uma conjunção comparativa. É, sem dúvida, verbo comer presente do indicativo da primeira pessoa singular.

Monday, February 20, 2006

Sepolha, o Rapaz-Coelho

Era uma vez (como outra qualquer, não é verdade?) um rapaz traquina, contente e amável. Sepolha era o seu nome (não, não era com a intenção de ser o anagrama de "-Ah!Lopes!" - apenas calhou, inventei).
Ele dava-se bem com os seus pais, com os seus amigos, dava-se bem com os pais dos seus amigos e com os pais dos pais dos seus amigos. Todos gostavam de Sepolha. Brincavam, num misto de troça, com os seus dentes da frente, gozando e afirmando serem um tanto grandes para a sua constituição física. Mas Sepolha não se importava. Era um rapaz feliz, e não tinha problemas com pequenas (se bem que neste caso o problema era serem grandes) coisas.
O Halloween vinha já aí, e com toda a excitação característica de um miúdo que vai atravessar o dia das bruxas, Sepolha pediu à sua mãe que cosesse um fato especial para a época, para que pudesse passar sinistros momentos mascarado de coelho assassino.
A sua mãe, como é óbvio, concordou.
Quando chegou o dia, Sepolha estava ansioso por sair à rua. E, ao gritar o habitual "SAÍ!" aos seus pais, fechando a enorme porta pesada de sua casa atrás de si e preparando-se para uma bela aventura de sustos, Sepolha sentiu uma excitação e um frenesim típicos a percorrerem-lhe o corpo.
Nessa noite, um coelho assassino reinou as ruas, assustando, aterrorizando e intimidando todos os outros miúdos que esperavam passar um alegre serão dizendo "partidas ou guloseimas!".
O seu saco estava já a transbordar de doces, tal como a sua boca.
Porém, quando Sepolha pensava que a sua noite havia sido um sucesso, e que já havia ganho o dia, eis que à sua frente aparece um falcão de pé, com aspecto imponente e escarnecedor.
- O que... - começou Sepolha. O falcão havia-se antecipado e dera-lhe uma valente bofetada com uma das suas asas prateadas.
Sepolha ficou inconsciente. O majestoso pássaro levou, prudentemente, o corpo do pequeno mamífero para detrás de um arbusto, onde o devorou até às tripas.
Os pais do rapaz, os amigos do rapaz, os pais dos amigos e os pais dos pais dos amigos do rapaz ficaram irremediavelmente transtornados. Choraram dias e noites sem fio, perguntando-se que mal tinham feito para merecerem esta tragédia.
Mas eles não haviam feito qualquer mal. Hoje em dia já se tornou uma lenda, mas, na verdade, a grande ave ainda anda por aí, astuta e interesseira, saciando-se com a carne de pequenos miúdos saborosos.
Quem sabe, se não serás tu a próxima vítima.

Monday, February 13, 2006

Alfa e Omega

Deus. À primeira vista, poderá parecer que é o princípio e o fim de todas as coisas visíveis e invisíveis. Mas será apenas isso?
O que é Deus afinal de contas? Um miudinho lá em cima a olhar para nós e a rir-se da nossa estupidez? É que, com alguma criatividade, uma pessoa até se diverte a imaginar Deus.
Deus podia ser assim um daqueles miúdos malvados e com mentes distorcidas que só nos querem fazer mal, e depois pegam em dois aviões e mandam-nos contra dois arranha-céus, sopram numa palhinha e criam tsunamis e isso tudo.
Não? Pronto. Talvez não.
Mas, bem, de qualquer maneira, não acredito em Deus. Acredito só que a palavra em si tem uma simbologia que pode ser usada em metáforas e em histórias e que, se bem aproveitada, terá um significado muito além do significado religioso.
"Deus - ser supremo, infinito, perfeito, criador do Universo; divindade..." (auxílio do dicionário)
No fundo, no fundo, Deus não existe. Somos todos nós. Nós é que O criàmos e nós é que acabamos com Ele se quisermos. Se ninguém acreditar Nele, Ele desaparece.
É um todo, que se define por todos os seres do planeta. Todos juntos formamos assim uma coisa suprema, perfeita, divina... E cada um de nós é um pedaço autónomo de Deus, que pensa por si próprio e faz o que lhe dá na gana.
Nem que seja um pedacinho. Assim, bem pequeno.

Tuesday, January 31, 2006

Tempos de Infância

Por vezes temos necessidade de recordar o passado. Não consigo perceber muito bem porquê.
Apenas queremos, talvez, voltar a lembrar (uma vez mais) os melhores momentos da nossa vida. Aqueles mesmo bons, que deveriam ser expostos numa espécie de pensatório (à moda do Harry Potter) para que pudéssemos revê-los vezes sem conta, com toda a sua essência, sem que o passar do tempo os modificasse e os tornasse menos nítidos na nossa memória.
É incrível como a vida pode dar cambalhotas (por vezes a mais), batendo, às tantas, com a cabeça nalgum lado, modificando-nos os sentimentos, a maneira de pensar, os amigos e tantas outras coisas.
Tudo o que outrora sentimos (aqueles sentimentos espectaculares) já se desvaneceu num mar de lençóis nos quais, agora, dificilmente poderemos dormir de novo. Todos os sorrisos são esboçados de maneira diferente, as lágrimas, o amor, e toda a forma de pensamento racional ou irracional (quando mais novos, também tinhamos destes) será vivida de uma outra maneira.
Como poderemos, agora, retroceder no tempo? Gostaria de reviver, uma vez mais (pelo menos), o menino que fui há uns anos atrás. Aquele menino despreocupado com a vida, que sonhava acordado e desenhava no seu rosto pelo menos um sorriso por dia.
Aquele menino que não escolhia a roupa a levar para a escola, que levava uma mochila de rodinhas completamente pirada, e, ainda assim, conseguia sentir-se bem consigo mesmo.
Eu transportava uma luzinha cá dentro que emanava alegria para as minhas veias e artérias cheias de sangue, que enchia os meus pulmões com ar mais puro do que aquele que respiro agora, que era capaz de me fazer olhar para um céu estrelado e espantar-me, indagar-me, e pensar naquele tipo de perguntas habituais, o tamanho do universo, a vida extraterrestre, etc...
Presumo que jamais poderemos igualar a nossa felicidade à de quando eramos mais novos, mas, no fundo, viveremos com a esperança de um dia a poder ultrapassar. Quem não gostaria de quebrar todas as barreiras e sentir algo novo?, aquele bem-estar desconhecido por que anseia, uma paz misteriosa, uma vontade capaz de nos fazer mover, ajudar os outros e ser feliz, sem pedir nada em troca...
Mas, infelizmente, estamos a crescer, o tempo passa, e o melhor será adaptar-mo-nos a esta nova vida, a estes novos sentimentos e ideias, e tentar usufruir deles ao máximo.
Eu, porém, prefiro pensar que ainda tenho um menino escondido dentro de mim.

Monday, January 30, 2006

Last Kiss

Mesmo apesar de a letra da música incluir as palavras "Lord" e "Heaven", não deixo de gostar dela. Depois de ouvir isto devo confessar que é das músicas com a letra mais triste que eu já li, e ainda assim não deixa de esconder todo o seu belo e fenomenal. Dêem uma vista de olhos também. E de ouvidos.



"Pearl Jam - Last Kiss" 3:15

Oh where, oh where can my baby be?
The Lord took her away from me.
She's gone to Heaven, so I've got to be good,
So I can see my baby when I leave this world.

We were out on a date in my daddy's car.
We hadn't driven very far.
There in the road, straight ahead,
A car was stalled, the engine was dead.
I couldn't stop, so I swerved to the right.
I'll never forget the sound that night:
The screaming tires, the busting glass,
The painful scream that I heard last.

Oh where, oh where can my baby be?
The Lord took her away from me.
She's gone to Heaven, so I've got to be good,
So I can see my baby when I leave this world.

When I woke up the rain was pouring down,
There were people standing all around.
Something warm pulling through my eyes
But somehow I found my baby that night.
I lifted her head, she looked at me and said:
"Hold me darling, just a little while."
I held her close, I kissed her - our last kiss.
I found the love that I knew I had missed.
Well, now she's gone even though I hold her tight,
I lost my love - my life - that night.

Oh where, oh where can my baby be?
The Lord took her away from me.
She's gone to Heaven, so I've got to be good,
So I can see my baby when I leave this world.
Oooh...

Acabou!

Estou farto. Acabou-se o menino bonito que só publica histórias idiotas e pomposas, acabou-se a paciência para continuar a olhar (mais uma vez) para este mundo irritante que não muda, acabou-se tudo o que já chegou a ser belo, e que agora apodreceu. Acabou.
A partir de agora, se cá vier, vai ser para despejar sentimentos sem nexo ou fundamento, escrever uns gatafunhos que nem gozo me dá considerá-los por letras e talvez pôr uma ou outra ideia que no fundo não vos vai ajudar em nada.
Se não gostam, não olhem.

Saturday, December 31, 2005

O Natal de Tozé

Exactamente quando o relógio apontou quatro zeros idênticos, divididos por dois pontos, Tozé soltou um bocejo, exprimindo toda a sua indiferença. À sua volta encontrava-se a sua numerosa família, rodeando a árvore de Natal – sem sequer a ver – e rasgando os embrulhos de montes e montes de presentes que nem uns selvagens.
«Só querem é os presentes...», pensou Tozé. «Estar em família é uma coisa boa, claro. Mas fazê-lo por ser Natal passa a ser horrível. Ambiciosos d'um raio. Oportunistas, hipócritas, interesseiros… Vêm para aqui todos faustosos e depois dizem mal nas costas. Metem nojo. Todos eles. Mas aqui estão, abrindo os presentes que alguns compraram cuidadosamente, outros indiferentemente.», continuou Tozé, estupefacto com o que via à sua frente. «Gostaria de pensar que estes pensamentos se devem aos meus apenas 15 anos, mas tenho sérias dúvidas…«
«Deus, eu não acredito em Ti, mas se (por acaso) existires, diz-me: foi assim que criaste o Homem? À tua imagem? À minha parecem-me completamente labregos, irracionais, apartados dos outros e do que é importante, afastados do verdadeiro significado do Natal, seja ele qual for.»
Natal... Que é isso afinal de contas? Jesus, presentes, presépio, dinheiro, salvação, família. Qualquer um dos seis não lhe dizia coisa alguma.
E Tozé já estava farto das aberrações no carácter dos outros. Abriu a porta das traseiras, chamou o seu cão para companhia, e sentou-se no suave relvado natalício do seu jardim, para olhar as estrelas, que, a seu ver, tinham muito mais significado e importância do que muito do que acontecia no seu planeta ínfimo.
– Só tu me percebes. – confessou ele ao apático rafeiro ao seu lado, afagando-lhe a densa pelugem. – Pelo menos tens esse ar indiferente, feliz por ti mesmo. Sabes, admiro isso. – continuou – Por vezes preferia ser um animal, como tu. A raça humana enoja-me e muito. Faria os possíveis para ser diferente. Ser egoísta e esquecer todos os que não merecem quem se lembre deles…
Tozé permaneceu no silêncio estelar (juntos partilhavam segredos fantásticos, irreais e cativantes…) até se lembrar, em voz alta:
– É melhor voltar para dentro, antes que se lembrem que lá não estou.
Ao entrar de novo em casa, sentido o calor típico do seu lar e a barulhada que se tinha instalado desde o começo do dia, Tozé murmurou algo como "Vou dormir. Bom Natal."
Antes de ouvir qualquer resposta, Tozé já se havia dirigido para o seu quarto, ansioso por uma boa dose de sono, e uma maneira de poder evitar pensar no tal 25 de Dezembro.
Uma vez, Tozé havia consultado o dicionário, e, na definição de população, no sentido figurativo, estava transcrito "grande porção de animais".
Agora que pensava melhor, talvez não passassem todos disso. De uns completos animais, ali, a viver em sociedade.
Sem dar por isso, Tozé havia-se afundado num mundo só seu, e num oceano de fantasia e sonhos.
Quando adormeceu, uma lágrima jorrara-se-lhe no canto do olho.

Tuesday, November 01, 2005

Confissão dos Meus Tempos Passados

Tudo se passou naquele dia cinzento. Não pensei que o mau tempo se manifestasse num mau dia, mas mais tarde vim a percebê-lo às minhas custas.
Saí de casa olhando para as nuvens, com azedume. «Que se há-de fazer», pensei.
O motor do carro parecia estar nervoso nessa manhã defeituosa. Não pegou à primeira, não pegou à segunda. Só à terceira tentativa é que tive sucesso. Ainda me lembrei do «À terceira é de vez». E sorri. Mas tenho a certeza de que não o teria feito se soubesse que aquele dia não tinha sido feito para sorrir. Iria acontecer a pior coisa que me podia acontecer na vida, e eu estava a sorrir, pensando em provérbios estúpidos e irreais.
A nostálgica música da rádio animava-me o espírito durante o caminho para o trabalho. Grandes clássicos que nunca são esquecidos. Tentava cantarolar também ao mesmo ritmo, esforçando-me para que cada dia fosse diferente e tentado alcançar uma felicidade estável. Mas tenho a certeza de que não o teria feito se soubesse que aquele dia não tinha sido feito para cantar.
Começara a chover, e entretanto os carros aglomeravam-se na estrada. Felizmente, ou pelo lado positivo da coisa, já estava ao pé da empresa onde trabalhava. O desmedido edifício preto e vermelho expunha-se à vista de todos.
Demorei algum tempo a encontrar um espaço vago para estacionar o meu Polo GT. À minha volta, eram audíveis as gotas de água que embatiam no chão e as buzinadelas daqueles que estavam atrasados para o trabalho.
Como estava a chover, dei uma pequena corrida até à colossal porta giratória da entrada.
Durante o tempo de trabalho não houve qualquer tipo de problema. Os empregados foram eficientes, o frango do almoço (acompanhado de sangria) estava um regalo e a camisa da Isabel estava completamente molhada. «O dia está a correr-me bem», pensei animado. Mas tenho a certeza de que não o teria pensado se soubesse o que me iria acontecer a seguir.
Lá para as 17 horas, aprontei-me para regressar a casa. Ao sair da empresa, reparei que as nuvens já nos haviam abandonado e o sol exibia-se redondo e alaranjado.
Como o meu estômago me pediu um qualquer petisco para matar a fome, parei na gelataria.
Estafado do trabalho, simplesmente cheguei ao balcão e apontei com o dedo para o sabor de morango.
- Tira-me isso - pedi.
E o empregado deu-me uma taça de Tiramissú.
Desde então nunca mais fui o mesmo.

Wednesday, October 19, 2005

Deleting Post... Deleted.

Bem, é só para dizer que apaguei a maior parte dos posts que aqui estavam porque simplesmente não prestavam. Quero ver se a partir de agora posto qualquer coisa melhor (apesar de eu raramente postar alguma coisa que seja).
Portem-se, bem ou mal, ou bem mal.

Tuesday, October 11, 2005

Susej - A Caracoleta Maravilha

Susej sempre foi uma caracoleta bem atraente. Não havia dia em que, quando ela se rastejava pela rua, os outros caracois não se babassem e assobiassem insanamente como tarados. Os mamilos salientes, a mini-saia apetitosa, os lábios que mais pareciam antenas de formiga - todos eles eram factores da sua popularidade. Mas dentro do gigante (25m² de área) país dos caracóis havia quem não gostasse de Susej.
Saduj odiava-a. Saduj era uma outra caracoleta igualmente roliça, mas que andava farta de ser desprezada pelos outros caracóis, por isso, um dia, pregou na concha de Susej um bilhete para que todos pudessem ver.
E então, rapidamente, todos os caracóis da região foram prestando menos atenção a Susej e cada vez mais eram aqueles que observavam Saduj com interesse. O bilhete que Saduj pregara fora um sucesso.
De facto, com o passar dos anos, Susej ficou muito sozinha. De maneiras que, certo dia, morreu pobre e triste, enquanto Saduj se rastejava pelas praças e avenidas bem contente, vangloriando-se, feliz.
Mas aconteceu algo que ninguém estava à espera. Misteriosamente, Susej ressuscitou passados três dias, e a partir daí ganhou de novo a fama que outrora tivera. Saduj, que não esperava este golpe baixo por parte da sua rival, apanhou boleia de uma tartaruga e mudou de país.

Isto depois, claro, de Susej agradecer o bilhete que Saduj lhe havia pregado na concha. O que o bilhete dizia?
Aqui fica a transcrição:
"Mais forte que a vida, que o céu ou que o sol,
Eis aqui a vossa irmã, filha do Deus Caracol,
Não temam, amigos, pois sou Messias Universal,
Embora passe despercebida com esta concha em espiral.
Mas sou boa como o milho, sou milagre vindo ao mundo,
(E como não gosto de ti espetei-te o prego bem fundo).
Mas vocês são uns ótarios e eu faço chi-chi na cama,
Será que ainda ninguém percebeu que o meu nome é um anagrama?"

Wednesday, August 31, 2005

Momento Poesia - Comida, Amor e Poesia

bem este poema é tão parvo, encontrei isto duma coisa que fiz numa aula de português, há muito tempo... aqui vai:

A banana perguntou ao avô,
por que é que o seu clube foi de cana,
a velha fruta, já com bolor,
disse, com uma voz quase humana:

"Durante o jogo de futebol,
houve uma falta;
o pepino disse que tinha sido culpa do sumol,
o árbitro batata mandou o pepino para a rua,
a lasanha pôs-se nua
e resmungou,
- Não! - disse o feijão,
que se atirou sobre a lasanha,
mas depressa parou,
e o jogo continuou.
A maçã fintou o leite Vigor,
e chutou e então esperou;
a audiência soltou um grito de horror,
enquanto o guarda-redes alface
deixou a bola entrar.
Golo!
A batata apitou,
e o jogo acabou.
Foi então que a equipa perdedora
esfaqueou o nabo por irritação,
por isso é que o polícia cenoura,
os levou a todos para a prisão."


LOL na altura este deve ter sido um daqueles momentos =S

Saturday, June 04, 2005

Resumo da vida em quatro minutos


Aqui está um vídeo que, em cerca de 4 minutos, resume de uma maneira clara o que no fundo é a vida.


Saturday, May 07, 2005

Apresentações...

João, 1990, e criei este blog porque simplesmente adoro escrever.
Já estão feitas as apresentações.

Agora comentem, não digam nada de todo, riam, chorem, odeiem-me, venerem-me, passem palavra, ou não.
Qualquer dúvida, perguntem.
Apreciem.